PROCEDIMENTOS DO SERVIÇO DE
TRATAMENTO
A PESSOAS COM TRANSTORNOS DECORRENTES
DO USO OU ABUSO DE SUBSTÂNCIAS
PSICOATIVAS DENTRO DA CLÍNICA RENASCER
Este
Programa apresentado pela Clínica Renascer foi elaborado a partir de experiências
adquiridas pelos profissionais que a compõe, bem como por sugestão de órgãos e Instituições relacionados ao tratamento de
Dependentes Químicos e Alcoólatras, conforme resolução da Anvisa, nº 29 de 2011(RDC-29).
E é freqüentemente revisado, de acordo com as atualizações referentes a este
assunto.
INTERNAÇÃO
A
internação ocorre na Unidade Terapêutica localizada na Chácaras JK, com ampla
área verde e de lazer, o que proporciona um bem estar maior para os pacientes.
O
período mínimo de internação é de seis meses, divididos nas seguintes etapas:
desintoxicação, reorganização bio-psico-social e espiritual.
Os
objetivos principais deste tratamento são:
1. Abstinência total da substância;
2. Conscientização da dependência enquanto doença;
3. Responsabilização pela recuperação individual e do
grupo;
4. Extinção de comportamentos inadequados;
5. Reabilitação para um convívio sadio em sociedade e
familiar
1-
ADMISSÃO DO PACIENTE:
O paciente chega à Clínica através de solicitações,
feitas por:
* Família: a família do paciente, através de
orientação médica ou de grupos de auto e mútua-ajuda, solicita a internação,
quando o mesmo está oferecendo risco a si mesmo ou a terceiros.
* Médico; após avaliação médica, constata-se a
necessidade de internação, pela impossibilidade de tratamento Ambulatorial ou
Domiciliar, uma vez que o paciente não consegue manter a abstinência.
* Medida Judicial: requerida por autoridade
competente em razão do uso contínuo de tóxicos e álcool , onde o paciente
torna-se uma pessoa agressiva, colocando em risco sua vida e de seus
familiares.
* Voluntário:
o próprio paciente admite a necessidade de tratamento e procura a Clínica.
2-
ALTA:
A alta será mediante avaliação médica e psicológica,
após um período não inferior a 06 (seis) meses.
Caso o paciente queira interromper o tratamento, sem
autorização médica, porém com o consentimento familiar, será considerado “Desistência”.
Em caso de Evasão (Fuga), a Clínica possibilita o retorno
do paciente, ao tratamento, quando localizado e desde que solicitado pela
família, sem imposição de violência ou qualquer tipo de constrangimento, para
assegurar a segurança do mesmo. A evasão é comunicada à Polícia Militar (BO), à
Vigilância Sanitária e à família.
3-
TRIAGEM:
·
AVALIAÇÃO
CLÍNICA: Feita pelo Clínico geral,
contratado pela Clínica. Realizada na primeira avaliação do paciente e sempre
que solicitada, com o objetivo de detectar possíveis comorbidades ou doenças
secundárias ao uso de drogas, bem como patologias clínicas rotineiras.
·
AVALIAÇÃO
PSIQUIÁTRICA: Realizado por Médico Psiquiatra com Título de Especialista em
dependência química. A avaliação é realizada na chegada do paciente e
periodicamente conforme necessidade e evolução do mesmo.
·
AVALIAÇÃO
PSICOLÓGICA: Realizada semanalmente, através de terapia individual e
grupal. Em caso de maior gravidade, como
risco de suicídio ou de heteroagressões, os atendimentos podem ser realizados
com maior freqüência, de acordo com a avaliação da equipe técnica.
·
AVALIAÇÃO
FAMILIAR: Os familiares são atendidos pela Psicóloga, especializada em Dependência Química.
Nesta avaliação são observados fatores relacionados ao
paciente, como: primeira infância, adolescência, período escolar, convívio
familiar e social, doenças associadas, predisposição genética e tratamentos
efetuados anteriormente.
·
EXAMES LABORATORIAIS: solicitados pelo
responsável técnico da Clínica, quando há suspeita de disfunções orgânicas
associadas (urina, TGO, TGP, Hemograma, etc.) ou há dúvidas quanto ao uso de
drogas (teste toxicológico). Exames estes feitos em laboratórios particulares, custeados
pela família, quando da internação particular. Quanto a internações com
convênio com prefeituras, os referidos exames serão feitos através do Sistema
Único de saúde (SUS).
·
AVALIAÇÃO FÍSICA:
feita por um professor de educação física, que tem o objetivo de saber quais
são as condições físicas e motoras de cada paciente, bem como elaborar
treinamentos para ajudar no tratamento de patologias diagnosticadas nos exames
laboratoriais.
4-
FASES DA RECUPERAÇÃO:
1ª FASE:
DESINTOXICAÇÃO - REABILITAÇÃO FÍSICA, MENTAL E EMOCIONAL
Tem
por finalidade retirar o paciente do estado de obsessão e compulsão pela droga,
o que levam a instabilidade emocional e mental. Através de técnicas
terapêuticas, o paciente entrará em contato consciente com efeitos nocivos causados
pelo uso da droga. O uso de medicamentos fica a critério do médico (clínico
geral e psiquiatra) e têm por finalidade
auxiliar nos transtornos de humor e crises de abstinência. Atividades físicas,
de lazer e ocupacional auxiliam neste processo. Ênfase no 1° Passo de
Narcóticos Anônimos.
2º- FASE – RESGATE E
PRÁTICA DE VALORES ÉTICOS, MORAIS E ESPIRITUAIS
Esta fase tem por
finalidade concretizar as mudanças iniciadas na fase anterior. O resgate e a
prática de valores éticos, morais e espirituais, promoverão uma total
reformulação no quadro psíquico - comportamental do paciente. Ênfase nº 2° e 3°
Passos de Narcóticos Anônimos e nas Reuniões de Sentimento.
3ª-FASE - AUTO ACEITAÇÃO E AUTO
CONHECIMENTO
Ênfase nº 4° e 5°
Passo de Narcóticos Anônimos, onde é confeccionado o inventário moral/pessoal e
apadrinhamento, com objetivo de autoconhecimento e conseqüente melhora da
autoestima, dos relacionamentos familiares e interpessoais. Reavaliação do
Estágio Motivacional.
4º-FASE – PREVENÇÃO À RECAIDAExercícios e dinâmicas de conscientização de fatores que podem levar a uma possível recaída. Ênfase nos Passos de Narcóticos Anônimos – 6°, 7°, 8°, 9°, 10°, 11° e 12°.
5º-FASE – RESSOCIALIZAÇÃO
Com adoção e
prática de um novo estilo de vida terá início a fase de reintegração social.
Nesta fase, o paciente passa a frequentar Grupos Terapêuticos, de Narcóticos Anônimos,
Alcoólicos Anônimos e Amor-Exigente, além do Grupo de Espiritualidade de sua
preferência, e ainda, com a possibilidade de passar finais de semana em casa
com seus familiares, para iniciar sua readaptação no seio de sua familia, bem
como, prevenções e analises de possíveis recaídas.
6°-FASE – ACOMPANHAMENTO PÓS ALTA
Após o retorno
para a família, o paciente será monitorado via telefone pelo sistema “VIGITEL”,
em 30, 60 e 90 dias pós-alta. É sugerido que o paciente continue a frequentar grupos de apoio, além da terapia individual,
oferecidas pelo seu município ou região, tendo em vista que a dependência
química é uma doença crônica.
5-
PROGRAMA
TERAPÊUTICO: desenvolvido de acordo com a idade e capacidade de aproveitamento,
e baseado em:
A- Reuniões de
Auto e Mútua Ajuda - Nos três
primeiros meses o Programa é voltado para à desintoxicação, com conscientização
e detecção das crises de abstinência; são enfatizados os três primeiros passos
do Programa de Doze Passos dos Narcóticos Anônimos (rendição, aceitação e
entrega - respectivamente, primeiro, segundo e terceiro passo). Nos meses
seguintes são trabalhados autoanálise, prevenção a recaídas e reinserção social.
B-
Espiritualidade:
Durante todo o Programa é trabalhada a Espiritualidade, sem conotação
religiosa. São feitas leituras Bíblicas, com meditações de forma individual e
grupal, louvores e orações diversas. São apresentados vídeos com palestras
relacionadas ao tema. E reuniões ministradas por representantes de todas as
religiões, onde, cada paciente deverá optar por qual das reuniões irá
participar (ministrada pelo representante de religião ou ministrada pelo
coordenador ou monitor, sem conotação religiosa).
C- Atividades
físicas e de lazer: são ministradas
aulas de Atividades Física, pelos coordenadores e ou monitores. As aulas
constam de alongamentos, jogos coletivos
e mini campeonatos de futebol, ping
pong, dama, dominó, todos para incentivar a competitividade regrada, assim como
saber ganhar, perder, repartir e competir, bem como a melhora dos
relacionamentos interpessoais, melhora do convívio social, entrosamento,
desenvolvimento da capacidade de trabalho em grupo, melhora do condicionamento
físico, aumento de endorfinas, coordenação motora e bem estar geral.
D- Atividade Ocupacional: ministrada e acompanhada pelos coordenadores e ou
monitores, com a finalidade de aumento da criatividade, raciocínio lógico,
capacidade de colaboração, memória e desenvolvimento de habilidades manuais. Os
quais serão incentivados a fazerem artesanatos com jornal, palitos, madeira. Porém
todas as atividades ocupacionais serão introduzidas na clinica, a partir do
interesse dos internos.
E-
Laborterapia:
terapia feita através de trabalhos cotidianos, como limpeza da chácara,
culinária, horta, etc. Buscam trabalhar a organização geral e pessoal, higiene
e autocuidado. Os trabalhos de culinária, sempre acompanhados de um responsável
contratado pela clínica. Estimulam a criatividade e o espírito coletivo, além
de aumentar a autoestima. A horta busca demonstrar o “ciclo da vida”, além do
espírito de cooperação. Os pacientes lavam suas roupas pessoais, sempre
orientados e acompanhados por responsável contratado pela clínica, aumentando a
responsabilidade e noções de autocuidado.
F-
Videoterapia:
filmes e palestras com finalidade terapêutica. Estimula o raciocínio,
capacidade de atenção e imaginação. Após cada sessão são discutidos os temas
centrais do vídeo e feita interpretação individual com auxílio da equipe
técnica.
G- Psicoterapia: é feita de forma individual e grupal pela psicóloga
da Clínica. Cada paciente é atendido semanalmente de forma individual, com
objetivos específicos de acordo com a avaliação. A duração das sessões varia de
acordo com a necessidade e disponibilidade do paciente.
H- Tratamento
psiquiátrico: feito através de atendimentos
individuais, e medicamentos. Enfoca a desintoxicação, prevenção de abstinência,
tratamento de comorbidades e melhora do estado geral.
I-
Clínico Geral:
avaliações realizadas por médico contratado pela Clínica, com objetivo de
avaliar as possíveis comorbidades ou disfunções, apresentadas durante todo o
tempo de tratamento.
J-
Atividades Comunitárias: Na medida em que a internação é
organizada como uma microsociedade, com regras de convívio e distinção de
funções, as atividades comunitárias visam à socialização dos pacientes, isto é,
o desenvolvimento e o exercício das relações interpessoais e o estabelecimento
de vínculos afetivos proporcionados pelas normas comunitárias. Estas atividades
compreendem: as refeições, atividades de lazer, atividades esportivas e as atividades
terapêuticas.
a) Oficina de artesanato: proporciona a iniciativa,
criatividade e a tomada de decisões. São propostas pelos pacientes as
atividades que mais lhes atraem.
b) Oficina de culinária: exercida diariamente no preparo
de suas próprias refeições, sempre acompanhadas por pessoa responsável
contratada pela clínica, mostra ao paciente que ele é capaz de realizar
tarefas, com criatividade e habilidade, respeitando o tempo e o ritmo de cada
indivíduo.
c) Atividades recreativas, expressivas e intelectuais:
são propostas dinâmicas de grupo, que estimulam a criatividade, promoção de
relações interpessoais, tomada de iniciativa e melhora da autoestima.
d) Recuperação
fisiológica e corporal através do exercício físico;
e) Implantação e desenvolvimento de hábitos de vida
saudáveis(físico,mental,social e espiritual)
6-
EXIBIÇÃO DE
FOTOGRAFIAS PARA A FAMÍLIA E ASSISTIDO: as fotografias estarão à disposição em
nosso site e no escritório. Porém, ambos podem visitar as dependências da
Clínica antes da internação.
7-
NORMAS PARA
AS VISITAS E COMUNICAÇÃO COM FAMILIARES E AMIGOS: após 30 (trinta) dias da
internação há comunicação entre o assistido e sua família, por telefone. A partir desta comunicação, já fica
estabelecido o dia da visita, que é realizada mensalmente. Após a primeira
visita, a comunicação por telefone é feita a cada 15 (quinze) dias. São aceitos
apenas 05 (cinco) membros de cada família e tem duração de 02 (duas) horas. Os
familiares são orientados a freqüentarem as reuniões de família, para que as
visitas possam ser proveitosas e não atrapalhem o tratamento. As visitas
somente serão autorizadas mediante comprovação de frequência (todos os encontros
mensais) nos grupos de apoio.





